A motivação para a criação deste texto partiu da percepção que temos, por meio da prática clínica, da repetição de histórias muito parecidas vivenciadas por mulheres que se deparam com o diagnóstico de infertilidade.
A infertilidade, para a Medicina, é a dificuldade de engravidar após 12 meses de tentativas, sem uso de nenhum método contraceptivo. No entanto, para as pacientes que vivenciam esse problema, a infertilidade está além desta definição, é mais do que isso. Não conseguir gerar um filho com a pessoa amada e não conseguir dar continuidade à família é por demais frustrante e desmotivante. Além disso, a sociedade estipula uma série de etapas a serem cumpridas pelas pessoas. Quando uma delas não é cumprida, aparecem as cobranças e imposições. Assim é se você não namora, precisa “arranjar” alguém; se já namora, precisa casar; e, se já casou, precisa ter filhos…
A imposição dessa ordem linear de acontecimentos colabora para pressionar ainda mais os casais que tentam engravidar. E, se estes não marcarem o seu espaço frente à demanda do outro, pontuando o que os incomoda, para se protegerem, as angústias podem tornar-se insuportáveis.
Misto de sentimentos
É comum perceber, com toda essa problemática, que as mulheres com dificuldade de gravidez começam a se fechar num mundo muito solitário e frio. Deixam de sair com receio dos comentários alheios, sentem-se inferiorizadas frente às demais mulheres, pouco dividem com seus companheiros sentimentos e pensamentos com medo da rejeição do parceiro e, em alguns casos, abandonam seus empregos para dedicarem-se exclusivamente ao tratamento para engravidar.
Com tantas limitações, a infertilidade acaba estando presente em tudo, uma vez que se configura como “não produzir, não criar”. Se imaginarmos um terreno a ser germinado e colocarmos a infertilidade em apenas uma porção, com o passar do tempo, olhamos novamente este mesmo terreno e percebemos que a porção infértil ocupou uma área maior. Isso não precisa necessariamente ser assim.
Percebemos haver uma tendência das mulheres a levarem a infertilidade para outros espaços de sua vida, uma vez que a situação e os fatores a ela relacionados são frustrantes e angustiantes, gerando, principalmente, sentimentos de impotência.
Para contornar este período difícil da vida é necessário que essas mulheres consigam “adubar” e “preparar a terra” a fim de que outras produções sejam possíveis, expandindo seus horizontes para além da gravidez. O processo psicoterapêutico em muito auxilia essa questão. Algumas pacientes engravidaram justamente no momento em que se viam produtivas no trabalho e maduras em sua vida pessoal.
Para situações delicadas e singulares como o enfrentamento da infertilidade conjugal não existem receitas prontas (para alguma dificuldade na vida existe?); mas, certamente, a busca por essa expansão de interesses trará um sentimento de eficiência e de auto-valorização para essas mulheres, enquanto a gravidez não vem.
Hormônios são substâncias produzidas por glândulas endócrinas que têm funções específicas, como ajustar o metabolismo. (Foto: Reprodução / iStock/Thinkstock/Getty Images)
Você está uma pilha, inchada, implorando por chocolate, e aí se lembra: “Ah, são meus hormônios, estou na TPM“. A variação hormonal nessa fase afeta mesmo nosso bem-estar, mas é natural. No entanto, existem distúrbios hormonais que podem prejudicar seriamente a saúde. “Queda de cabelo, sonolência ou ganho de peso repentino podem sinalizar desajustes”, alerta o endocrinologista Pedro Assed.
Busque ajuda
Para saber se os sintomas correspondem a um desequilíbrio hormonal, procure um endocrinologista e faça os exames pedidos por ele. “Alguns grupos específicos, como as mulheres entre 30 e 60 anos, estão mais sujeitos a essas alterações: doenças como o hipotireoidismo e a síndrome de ovários policísticos são mais comuns nessa fase da vida”, avisa Assed.
As razões da oscilação hormonal
A adolescência, a gravidez e a menopausa são fases da vida da mulher em que, naturalmente, os hormônios oscilam bastante. Há também doenças, quase sempre genéticas, como o diabetes tipo 1, que afetam o funcionamento das glândulas produtoras de hormônios, provocando o desequilíbrio. Mas certos hábitos, como uma rotina estressante, também podem interferir nessa estabilidade e prejudicar a saúde.
Eles oscilam dependendo da fase da vida
Estrogênio
Há vários tipos desse hormônio circulando no corpo. Produzido pelos ovários, comanda o desenvolvimento das características sexuais femininas, como o crescimento das mamas. Sua queda pode reduzir o desejo e diminuir os níveis de serotonina, provocando depressão. A reposição alivia os sintomas, mas deve ser indicada por um médico.
Estradiol
Trata-se do hormônio da família dos estrogênios que, entre outras funções, estimula a ovulação. Sua queda sinaliza o início do climatério, fase que atravessamos antes da menopausa. Os sinais são ganho de peso, dores de cabeça e ciclos mais curtos (há quem fique menstruada duas vezes no mês). O médico deve avaliar se a reposição é necessária ou não.
Progesterona
Prepara o corpo para uma possível gravidez. Alguns dias antes de a menstruação descer, os níveis de progesterona e estrogênio diminuem e a TPM dá as caras: alterações de humor e inchaço chegam com tudo. Vale reduzir o consumo de sal e praticar atividade física para descarregar a tensão.
Hormônios que sofrem alterações quando há um problema de saúde
Insulina
O pâncreas é o órgão responsável pela produção desse hormônio, que ajuda a levar o açúcar que ingerimos para as células. A falta de insulina, doença conhecida como diabetes, eleva as taxas de glicose do sangue e causa fraqueza, sede, infecções de pele e pode levar a consequências graves, como cegueira e coma. Em muitos casos, o diabético precisa tomar doses de insulina diariamente para controlar a doença. Em excesso, o hormônio provoca o acúmulo de gordura na barriga e até cistos no ovário.
T3 e T4
São produzidos pela tireoide e controlam o crescimento, a velocidade do metabolismo, o sono e o funcionamento do intestino. Falta de iodo na alimentação, histórico familiar e consumo excessivo de soja podem ser responsáveis por seu desequilíbrio. “O hipertireoidismo provoca emagrecimento, taquicardia, insônia, tremores e diarreia. Já o hipotireoidismo causa ganho de peso, sonolência, queda de cabelo, letargia, diminuição da libido, pele ressecada e retenção de líquido”, avisa o médico.
Cortisol
Mais conhecido como hormônio do estresse, é produzido pelas glândulas suprarrenais, que ficam sobre os rins. Ele age em situações de tensão, equilibra a pressão arterial e a glicose no sangue. Estresse contínuo e doenças raras nas glândulas suprarrenais podem desregular as taxas de cortisol. “O excesso, ou hipercortisolismo, causa hipertensão, ganho de peso, aparecimento de estrias avermelhadas, rubor facial e acúmulo de gordura na região do pescoço e da face”, explica Pedro Assed.
Paratormônio
Controla a formação óssea e a eliminação do cálcio e do fósforo pela urina, mantendo o equilíbrio dessas substâncias no sangue e garantindo o bom funcionamento do coração. “O excesso desse hormônio, distúrbio conhecido como hiperparatireoidismo, causa dores ósseas e osteoporose. Já sua falta, o hipoparatireoidismo, provoca espasmos musculares, confusão mental, fraqueza, sonolência, sintomas depressivos e até crises convulsivas, alerta o endocrinologista.
https://clinifert.com.br/novo/wp-content/uploads/2017/09/logo.png00Cliniferthttps://clinifert.com.br/novo/wp-content/uploads/2017/09/logo.pngClinifert2017-10-10 13:47:482017-10-10 13:47:48CONHEÇA OS MOTIVOS POR TRÁS DO SOBE E DESCE DOS HORMÔNIOS
AUMENTA A PROCURA POR CONGELAMENTO DE ÓVULOS NAS CLÍNICAS DE REPRODUÇÃO HUMANA (Foto: Thinkstock)
“Minha vida é uma loucura, trabalho de 12 a 14 horas todos os dias. Não conseguiria cuidar de um bebê e me recuso a ser uma mãe ausente. Por isso quero congelar meus óvulos.” Esta declaração foi dada recentemente por Sabrina Sato à Marie Claire, mas poderia ser de muitas mulheres brasileiras que optam cada vez mais pela gravidez tardia e fazem crescer a procura por congelamento de óvulos nas clínicas de reprodução humana.
“São mulheres que desejam postergar a maternidade em prol da estabilidade econômica ou por priorizar a carreira até os 30 e poucos anos”, conta a Dra. Audrey dos Reis, médica ginecologista-obstetra, especialista em reprodução humana. “Fazem crescer a lista aquelas que, apesar do desejo reprodutivo, ainda não encontraram o parceiro ideal, e mulheres com problemas graves de saúde, como câncer, que necessitam de tratamento imediato, mas desejam preservar a fertilidade para realizar o sonho da maternidade assim que curadas.”
A blogueira fitness Karina Bacchi endossa o coro das favoráveis ao congelamento e admitiu há poucos dias, em sua conta do Instagram que, apesar de não ter o desejo de ser mãe, congelou os óvulos por precaução. “Fiz sob orientação médica para caso um dia eu mude de ideia e já não esteja tão jovem assim”, escreveu.
De olho nesta crescente, consultamos a especialista para esclarecer todas as dúvidas que ainda rondam o assunto.
1. PROCURE CONGELÁ-LOS ATÉ OS 35 ANOS
A marca dos 35 anos é importantíssima quando se trata de fertilidade feminina. É a partir desta idade, principalmente, que a reserva ovariana começa a diminuir gradativamente e os óvulos apresentam perda de qualidade. “Essas alterações são ainda mais significativas dos 40 anos em diante. Quando a mulher atinge esta idade, ela conta com apenas 8% da sua função reprodutiva. Por isso, o ideal é que o congelamento seja realizado antes deste período. Assim existe uma garantia de melhor qualidade oocitária, maior taxa de sucesso na gestação e menor incidência de doenças genéticas”, esclarece Audrey.
Apesar disso, a especialista não descarta o congelamento após os 35. “É provável que, neste caso, por apresentar uma reserva ovariana menor em decorrência da idade, a mulher tenha que realizar o procedimento mais de uma vez a fim de obter um número razoável de óvulos para uma fertilização futura.”
2. O CONGELAMENTO NÃO TEM PRAZO DE VALIDADE…
Executado o procedimento, Audrey garante que os óvulos podem ser mantidos congelados por tempo indeterminado. “A utilização será feita, então, no momento em que a paciente achar mais oportuno”, diz.
3. …MAS ACONSELHA-SE QUE A FERTILIZAÇÃO SEJA FEITA ATÉ OS 50 ANOS
O Conselho Federal de Medicina assinou uma resolução, em 2013, que limita a fertilização in vitro a mulheres com menos de 50 anos. “Isso se deve a maiores riscos de complicações clínicas que possam acontecer na gestação em idade materna avançada”, explica. “As perdas gestacionais e a malformação fetal são diretamente proporcionais ao aumento da idade da mãe.”
A partir dos 40, a gravidez já é considerada de risco, mas os problemas podem ser minimizados nesta idade caso os óvulos tenham sido coletados em idade jovem. Além disso, com o avanço das técnicas laboratoriais, pacientes submetidas a este tipo de fertilização podem avaliar geneticamente o embrião antes que ele seja transferido ao útero.
OS RISCOS DA GRAVIDEZ TARDIA DIMINUEM SE OS ÓVULOS TIVEREM SIDO COLETADOS DURANTE A JUVENTUDE (Foto: Thinkstock)
4. CONGELAMENTO DE ÓVULOS vs. CONGELAMENTO DE EMBRIÕES
Aqui, o raciocínio é simples, mas envolve decisões diferentes. Segundo a especialista, o congelamento de óvulos nada mais é do que o processo feito exclusivamente com o gameta feminino. “Assim que congelados, os óvulos podem ser descongelados e fertilizados no momento em que a futura mãe achar mais oportuno”, conta ela.
Já o congelamento embrionário é resultado da fertilização in vitro prévia do óvulo pelo espermatozoide. Considerando que o embrião é produto da fecundação do gameta feminino pelo gameta masculino, quando o casal realiza o processo junto, normalmente, a decisão por descongelar o embrião costuma ser conjunta. O cenário só muda de figura quando a fecundação acontece com espermatozoides de um doador de sêmen anônimo. Neste caso, a decisão fica na mão da mãe.
5. A COLETA DOS ÓVULOS É FEITA SOB O EFEITO DE ANESTESIA LOCAL
Todo o procedimento começa dez dias antes da efetiva captura dos óvulos. “Inicialmente, a paciente é submetida ao uso de medicamentos responsáveis por estimular o crescimento folicular ovariano e a maturação dos óvulos. Esta etapa dura, em média, dez dias e não muda a rotina de vida da paciente. Assim que alcançamos um número adequado e o tamanho ideal de folículos, é programada a coleta dos óvulos”, explica Audrey.
A segunda etapa acontece em uma clínica especializada em reprodução humana por meio de um procedimento cirúrgico que exige o uso de anestesia e dura cerca de duas horas. “A punção ovariana é feita pelo canal vaginal e guiada por um ultrassom, que auxilia na localização dos folículos ovarianos. Os óvulos são capturados um a um. Em seguida, são encaminhados ao laboratório que avaliará o grau de maturidade e viabilidade de congelamento.”
Por conta da anestesia, o procedimento costuma ser indolor. “Entretanto, no pós-operatório imediato, a paciente pode sentir cólicas, que são geralmente discretas”, acrescenta ela.
6. PREÇO MÉDIO DO CONGELAMENTO
Apesar de ser de extrema importância para algumas mulheres, o congelamento de óvulos ainda não é uma técnica muito acessível. “A média do mercado está entre R$ 6 mil e R$ 10 mil”, esclarece Audrey. Mas alguns hospitais oferecem o tratamento de fertilidade pelo SUS, como o Pérola Byington, que tem programa gratuito de congelamento de óvulos para pacientes com câncer.
“O Instituto Ideia Fértil, da Faculdade de Medicina do ABC, tem um projeto de cunho social sem custos para pacientes com doenças graves que necessitam da preservação da fertilidade antes do início do tratamento da doença”, acrescenta Audrey. Para consultar todos os locais que oferecem o procedimento, vale entrar em contato com o Disque Saúde, no 136.
https://clinifert.com.br/novo/wp-content/uploads/2017/09/logo.png00Cliniferthttps://clinifert.com.br/novo/wp-content/uploads/2017/09/logo.pngClinifert2017-10-10 13:47:482017-10-10 13:47:486 COISAS QUE TODA MULHER DEVE SABER SOBRE CONGELAMENTO DE ÓVULOS
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