Maternidade mais tardia no Brasil: o que isso muda na fertilidade?
O Brasil está vivendo uma mudança importante no perfil da maternidade. Os nascimentos estão diminuindo e, ao mesmo tempo, mais mulheres estão tendo filhos em idades mais avançadas.
Segundo dados do IBGE, em 2024 o Brasil registrou 2.376.901 nascimentos ocorridos no ano, uma queda de 5,8% em relação a 2023.
Mas o dado não fala apenas sobre “ter menos filhos”. Ele também mostra que a maternidade está acontecendo mais tarde.
Não é só ter menos filhos: a idade da maternidade também mudou
Em 2004, 51,7% dos nascimentos eram de mães com até 24 anos. Em 2024, esse grupo caiu para 34,6%.
Ao mesmo tempo, os nascimentos de mães com 30 anos ou mais ganharam espaço. Em 2004, eles representavam cerca de 24,3% dos nascimentos. Em 2024, esse percentual chegou a aproximadamente 39,5%.
Esses números mostram uma transformação social importante. Mais mulheres estão estudando por mais tempo, construindo carreira, buscando estabilidade financeira, vivendo novas formas de relacionamento e escolhendo a maternidade em outro momento da vida.
Isso não significa que “passou da idade”. Significa que a fertilidade precisa ser conversada com mais clareza, sem tabu e sem alarmismo.
Idade não define destino, mas muda probabilidades
A idade não determina sozinha se uma mulher vai ou não conseguir engravidar. Cada caso depende de vários fatores, como histórico clínico, reserva ovariana, saúde geral, fatores masculinos e tempo de tentativa.
No entanto, do ponto de vista biológico, com o passar dos anos ocorre uma redução gradual da quantidade e da qualidade dos óvulos.
A fertilidade feminina tende a diminuir de forma mais perceptível após os 35 anos e de maneira mais intensa após os 40.
Isso não significa que mulheres após os 35 não possam engravidar. Muitas engravidam naturalmente nessa fase. O ponto principal é que o planejamento passa a ser ainda mais importante.
Quando procurar avaliação de fertilidade?
As recomendações médicas costumam considerar a idade e o tempo de tentativa para orientar quando buscar uma avaliação especializada.
- Menos de 35 anos: procurar avaliação após 12 meses de tentativas sem sucesso.
- 35 anos ou mais: procurar avaliação após 6 meses de tentativas sem sucesso.
- Mais de 40 anos: considerar avaliação de forma mais imediata.
Essas são orientações gerais. A avaliação pode ser antecipada quando há fatores como ciclos menstruais irregulares, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, cirurgias ovarianas anteriores, histórico de abortamentos ou suspeita de fator masculino.
Planejar não é se apressar
Falar sobre fertilidade depois dos 30 não deve gerar medo. Deve gerar informação, autonomia e cuidado.
Se você tem 30 anos ou mais e pensa em engravidar “um dia”, vale conversar com um especialista sobre:
- reserva ovariana;
- histórico menstrual;
- endometriose, SOP ou cirurgias ovarianas;
- saúde do parceiro, quando houver;
- congelamento de óvulos;
- condições como tireoide, diabetes, hipertensão e peso;
- tempo ideal para iniciar tentativas;
- quando procurar ajuda se a gravidez não acontecer.
Essa conversa não significa que você precisa engravidar agora. Também não significa que toda mulher precisa fazer tratamento de reprodução assistida.
Significa apenas conhecer melhor o próprio corpo e entender quais caminhos podem fazer sentido para o seu projeto de vida.
Congelamento de óvulos pode ser uma opção?
Para mulheres que desejam adiar a maternidade, o congelamento de óvulos pode ser uma possibilidade a ser discutida.
O procedimento permite preservar óvulos em uma idade mais jovem, quando a qualidade costuma ser mais favorável. No entanto, é importante lembrar que o congelamento de óvulos não garante uma gravidez futura.
A indicação deve ser individualizada, considerando idade, reserva ovariana, exames, histórico de saúde e objetivos reprodutivos.
Informação sobre fertilidade não deve gerar medo
A maternidade mais tardia é uma realidade no Brasil. E essa mudança precisa ser acompanhada por conversas mais claras sobre fertilidade.
A idade influencia probabilidades, mas não conta a história inteira. Cada mulher tem um contexto, uma saúde, um tempo e um projeto de vida.
Por isso, planejamento reprodutivo não é pressão. É cuidado.
Se você tem 30 anos ou mais e deseja engravidar no futuro, conversar com uma equipe especializada pode ajudar a entender suas possibilidades com mais segurança.
Agende uma consulta e tire suas dúvidas sobre fertilidade, reserva ovariana e planejamento reprodutivo.
Conteúdo educativo. Não substitui consulta médica individualizada.
Fontes:
Agência Brasil / IBGE,
ASRM e
ACOG.













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